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São Paulo, 12 de Junho de 2002

CARTA ABERTA

Caro internauta, seja bem-vindo à História.

Dias atrás, ouvimos a declaração feita por um ex-ministro do Iran, que num rompante de ódio e falta de absoluto conhecimento, disse que “o pior acontecimento da história foi à criação do Estado de Israel”.  Se você é alguém do tipo que ouve o galo cantar, mas não sabe aonde, invista algum tempo para conhecer a oficial história de Israel, cuja origem é sagrada. Antes de se deixar influenciar por noticiários tendenciosos que atendem a interesses escusos, informe-se.

Empreguei o meu tempo para elaborar esta pesquisa, de fontes oficiais (Centro de Informação de Israel) e das Escrituras Sagradas. Bem, se você acha que livros da história de Israel poderão ter sido escritos pelo espírito corporativista, não há de pensar o mesmo da Bíblia Sagrada. A minha pesquisa, num segundo estágio, chegará lá.

Boa leitura!

                      

“Morto porém Herodes, eis que o anjo do Senhor apareceu num sonho a José (pai de Jesus) no Egito, dizendo: levanta-te, e toma o menino e sua mãe, e vai para a Terra de ISRAEL”.  Deus não mandou José ir para a Palestina porque, simplesmente, ela não existia. Ela foi criada 131 anos após, em represália, para apagar os laços judaicos com a Terra, a Judéia teve o seu nome trocado para Síria Palestina (Vide ítem  2.3.. – Sob o domínio romano).

O povo judeu nasceu na Terra de Israel. Lá transcorreu uma etapa significativa de sua longa história, da qual o primeiro milênio está registrado na Bíblia; lá foi formada sua identidade cultural, religiosa e nacional; e lá tem se mantido ininterrupta sua presença física através dos séculos, mesmo depois de a maioria ter sido forçada a se exilar. Durante os longos anos de dispersão, o povo judeu não rompeu ou esqueceu a sua ligação com sua Terra. Com a fundação do Estado de Israel, em 1948, a independência judaica, perdida 2.000 anos antes, voltou ser uma realidade.

A QUESTÃO PALESTINA E O MOVIMENTO SIONISTA

Tzión/Sion

1.   Tempo Bíblico

 

1.1.      Os Patriarcas

 

A história judaica começou há cerca de 4.000 anos com o patriarca Abraão, seu filho Isaac e seu Neto Jacob. Documentos achados na Mesopotâmia, datando  da primeira metade do segundo milênio antes da Era Cristã, confirmam a descrição de sua vida nômade tal como relatado no livro de Gênese.

A Bíblia conta como Abrahão foi convocado para ser o fundador de um novo povo em uma nova terra e portador da nova crença no Deus único.

“Sai da tua terra” (corta as pontes com tua cultura pagã de origem);

“Sai da tua parentela” (corta as pontes com as heranças familiares enraizadas no paganismo);

“Sai da casa de teu pai” (corta o vínculo com os próprios pais para buscar uma experiência pessoal comigo).

 “Vai para a terra que te mostrarei”

Deus firmou uma aliança com Abraão. As alianças eram extensivas à descendência de quem as fazia. Portanto, Deus vai confirmar Sua aliança com Isaac, Jacob  e Israel. Os três participam de uma só aliança (Ex 2:24; Ex 3:6,15).

 “De ti farei uma grande nação”;

Abençoar-te-ei;

Engrandecerei o teu nome;

Tu serás uma bênção;

Abençoarei os que te abençoarem;

Amaldiçoarei os que te amaldiçoarem;

Em ti serão benditas todas as famílias da Terra;

Darei à tua descendência esta terra”.  

         

Quando a fome assolou o país, Jacob, seus doze filhos e respectivas famílias estabeleceram-se em Goshen, a leste do delta do Nilo, no Egito. Mais tarde seus descendentes foram reduzidos à escravidão e sujeitos ao trabalho forçado.

1.2.  Êxodo e Assentamento

Depois de 400 anos de escravidão, os israelitas foram conduzidos à liberdade por Moisés que, de acordo com a narrativa bíblica, foi escolhido por Deus para levar seu povo fora do Egito, de volta à Terra Prometida a seus antepassados. Durante os 40 anos que vagaram pelo deserto do Sinai, os israelitas receberam a lei de Moisés, incluindo os Dez Mandamentos, e tornaram-se uma nação.

O êxodo do Egito deixou uma marca indelével na memória nacional do povo judeu e tornou-se um símbolo de liberdade e independência. Todos os anos os judeus comemoram Pessach (Páscoa), Shavuót (Festa da Entrega da Lei) e Sucot (Festa dos Tabernáculos), celebrando os eventos daquela época.

Nos dois séculos seguintes, os israelitas conquistaram a maior parte do território e renunciaram à sua vida nômade para fixar-se como agricultores e artesãos; seguiu-se uma fase de desenvolvimento social e econômico. Períodos de relativa paz foram pontuados por tempos de guerra, durante os quais o povo reunia-se em torno de líderes conhecidos como “Juízes”, elevados a essa posição por suas habilidades políticas e militares, assim como pela capacidade de inspirar confiança; eles lideravam apenas o necessário para vencer o inimigo.

Posteriormente, a fraqueza inerente a esta organização tribal face à ameaça dos filisteus (um povo da Ásia Menor que conquistou uma base na costa)  gerou o anseio por um chefe que unisse as tribos e mantivesse a liderança de modo permanente, com a autoridade se sucedendo por hereditariedade.

1.3.  A Monarquia

O primeiro rei, Saul, permitiu a transição entre o fim do período tribal e a instalação de uma dinastia monárquica com o seu sucessor, David.

O Rei David (aproximadamente 1004-965 antes da Era Cristã) fez de Israel uma das potências da região através de bem sucedidas expedições militares que, inclusive, impuseram a derrota final aos filisteus. De outra parte, foram travadas alianças políticas com os reinos próximos. Conseqüentemente, sua autoridade foi reconhecida das fronteiras do Egito e do mar Vermelho às margens do Eufrates. Internamente, David criou uma nova administração governamental, fez de Jerusalém sua Capital, uniu as 12 Tribos de Israel em um só reino, com Jerusalém e a monarquia no centro da vida nacional do país. A tradição bíblica dota David de muitas qualidades, inclusive de um Dom para a poesia e a música, como revelado no livro dos Salmos, a ele atribuído.

O Rei Salomão (aproximadamente 965-930  AC), que herdou o império fundado por seu pai, David, voltou a maior parte dos seus esforços para o fortalecimento do reino. Através de tratados com os reis vizinhos, reforçados por casamentos de cunho político, ele garantiu a tranqüilidade dentro de suas fronteiras e tornou o seu reino uma das grandes potências da época. Salomão expandiu o comércio exterior e promoveu o progresso econômico no país ao desenvolver grandes empreendimentos, tais como mineração de cobre e fundição de metais. Ele criou novas cidades e fortificou aquelas de importância estratégica e econômica. A atividade de Salomão em Jerusalém foi coroada pela construção do palácio real e do Templo, centro da vida religiosa e nacional do povo. A Bíblia atribui a Salomão o Livro dos Provérbios e o Cântico dos Cânticos.

1.4.  Monarquia Dividida

O fim do reino de Salomão foi marcado pelo descontentamento das camadas mais pobres, que tinham de pagar pesados impostos por seus planos ambiciosos. Ao mesmo tempo, o tratamento preferencial dispensado à sua própria tribo irritou as outras, e a oposição à monarquia pelos separatistas tribais cresceu consideravelmente. Com a morte de Salomão, a insurreição aberta levou as tribos do norte a romper e dividir o país em um reino setentrional, Israel e outro meridional, Judá.

O Reino de Israel, abrangendo o território de dez  das tribos israelitas, com sua capital em Samaria, durou mais de 200 anos sob 19 Reis, enquanto o Reino de Judá, no território das tribos de Judá e Benjamin, ao sul, foi governado durante 400 anos de Jerusalém, por um número semelhante de reis da linhagem de David. A expansão dos impérios da Assíria e Babilônia acabou colocando sob seu controle primeiro Israel, e depois Judá. O Reino de Israel foi esmagado pelos assírios no ano 722 AC, e seu povo levado ao exílio e ao esquecimento. Mais de 100 anos depois, Babilônia subjugou o Reino de Judá, arrasou o Templo (586 AC) e exilou a maioria dos seus habitantes.

1.5.  O primeiro exílio

A conquista babilônica provocou o fim do primeiro estado judaico (período do Primeiro Templo), mas não rompeu a ligação do povo com a Terra. Sentados às margens dos rios da Babilônia, eles se comprometiam a lembrar sempre sua pátria . “Se eu esquecer de ti, ó Jerusalém, que a minha destra perca sua destreza, que a minha língua cole no paladar, se eu não lembrar de ti; se eu não colocar Jerusalém acima de minha maior alegria” (Salmo 137:5-6).

O exílio na Babilônia após a destruição do Primeiro Templo (586 AC) marca o início da diáspora judaica. Lá, o judaísmo começa a desenvolver-se, como um sistema único de idéias e vida fora da Terra de Israel. E é este sistema que veio assegurar a sobrevivência nacional e a identidade espiritual do povo, imbuindo-o com a vitalidade suficiente para assegurar seu futuro como nação.

 

Os profetas eram pensadores religiosos e personalidades carismáticas, considerados como dotados com o divino Dom da revelação. Eles pregaram desde o período da monarquia  até um século depois da destruição de Jerusalém (586 AC). Tanto como conselheiros dos reis para assuntos ligados à religião, ética e política, quanto como seus críticos sob a primazia do relacionamento entre o povo e Deus, os profetas eram guiados pela firme convicção da necessidade de justiça e emitiram poderosos comentários sobre a moralidade da vida nacional judaica. Suas mensagens estão registradas em livros de inspiradas prosa e poesia, muitos dos quais foram incorporados à Bíblia.

O apelo universal e eterno dos profetas deriva da sua preocupação fundamental pelos valores humanos. Palavras tais como as de Isaías ... “Aprendam a fazer o bem, devotem-se à justiça, ajudem as vítimas, sustentem os direitos do órfão, defendam a causa da viúva” continuam a alimentar a aspiração da humanidade pela justiça social

 

2.                  Dominação Estrangeira

Em  760 AC, através do profeta Isaías, Deus declinou o nome de Ciro, Rei da Pérsia, que permitiu o repatriamento dos judeus  (538 AC).

A promessa de livramento – A vinda de Ciro: “ Assim diz o Senhor ... quem diz de Ciro: É meu pastor, e cumprirá tudo o que me apraz; dizendo também a Jerusalém: Sê edificada; e ao Templo: Funda-te! (Is 44:24, 28)

 

2.1. Período Persa e Helenístico

Cinqüenta anos depois da destruição do Templo, o Rei Ciro da Pérsia, que havia conquistado a Babilônia, decretou que os judeus eram livres para voltar à sua terra. Por volta de 50.000 repatriados, liderados por Zerubatel, um descendente da Casa de David, vieram no Primeiro Retorno (538 AC). Menos de um século depois, o Segundo Retorno foi liderado por Esdras, o Escriba. Durante os quatro séculos seguintes, os judeus conheceram vários graus de autonomia sob a dominação persa (538-333 AC) e helenística, ptolomaica e selêucida (332-142 AC).

O repatriamento dos judeus, a inspirada liderança de Esdras, a refortificação das muralhas de Jerusalém, a construção do Segundo Templo e o estabelecimento do Knesset Haguedolá (Grande Assembléia) como o organismo religioso e judicial supremo do povo judeu marcaram o início do segundo estado judeu (período do Segundo Templo). Dentro do âmbito  do Império Persa (538-333 AC), Judá era uma nação centrada em torno de Jerusalém, cuja liderança era confiada ao Sumo Sacerdote e ao Conselho de Anciãos.

Durante o período helenístico, governantes selêucidas baseados na Síria proibiram a prática do judaísmo e profanaram o Templo, numa tentativa de impor a cultura sobre toda a população. Em contrapartida, surgiu um grande movimento de revolta (166 AC) que se transformou em uma força guerreira poderosa. A revolta foi comandada primeiro por Matatias, da dinastia sacerdotal dos hasmoneus e, depois de sua morte, por seu filho, Judá, conhecido como o Macabeu, que obteve várias vitórias contra o exército selêucida e purificou o Templo (164 AC). Esses eventos são comemorados anualmente durante a Festa de Chanucá.

 

2.2.  Dinastia dos Hasmoneus

Em decorrência de novas vitórias dos hasmoneus, os selêucidas (142 AC) restauraram a autonomia política e religiosa da Judéia (como a Terra de Israel como era chamada) e, com o colapso do reino selêucida (129 AC), a Judéia alcançou sua completa independência. Os governantes hasmoneus, que se tornaram uma monarquia hereditária, reconquistaram fronteiras não muito diferentes das do Reino de Salomão. Sob a dinastia dos hasmoneus, que durou cerca de 80 anos, o governo judaico consegue uma consolidação política e a vida judaica floresce.

 

2.3.  Sob Domínio Romano

Quando os romanos sucederam aos selêucidas, como a grande potência na região, eles concederam autoridade limitada ao rei hasmoneu. Hircano II, sob o poder do governador romano de Damasco. Os judeus não aceitaram de boa vontade o novo regime, e os anos seguintes viram freqüentes insurreições. A última revolta para restaurar a antiga glória da dinastia dos hasmoneus foi tentada por Matatias Antígono (40 AC). Sua derrota e morte três anos depois nas mãos dos romanos significou o fim do governo hasmoneu e o país tornou-se um estado submetido ao Império Romano.

Em 37 AC, Herodes, filho de um conselheiro do Rei Hircano II e casado com a filha deste rei, foi escolhido pelos romanos como Rei da Judéia. Embora não tivesse autoridade em política externa, Herodes recebeu ampla autonomia nos assuntos internos do país e tornou-se um dos mais poderosos monarcas na porção oriental do império romano. Grande admirador da cultura greco-romana, Herodes deu início a um intenso programa de construções, que incluía as cidades de Cesaréia e Sebaste, e as fortalezas de Herodium e Massada. Ele também reformou o Templo, tornando-o um dos mais magníficos edifícios de seu tempo. Mas, apesar de suas muitas conquistas, Herodes não conseguiu ganhar a confiança e o apoio de seus súditos judeus.

Após a morte de Herodes (4 AC), a autoridade de seus herdeiros foi diminuindo progressivamente, principalmente por causa da oposição popular à dinastia herodiana, até a Judéia  ficar sob o governo romano direto (Ano 6 da Era Cristã). Quando o domínio romano, cada vez mais severo e insensível, tornou-se intolerável, os judeus iniciaram uma revolta (66 EC), nos últimos dias do imperador romano Nero, que terminou com a total destruição de Jerusalém (70 EC) e a derrota da última fortaleza dos judeus em Massada.

 

Mt 24 - O Sermão Profético de Jesus

1.                                                            E, quando Jesus ia saindo do Templo, aproximaram-se dele os seus discípulos para lhe mostrar a estrutura do Templo.

2.                                                            Jesus, porém, lhes disse: Não vedes tudo isto ? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada.

 

A destruição de Jerusalém e do Templo (70 EC) por Tito, o comandante das forças romanas, atingiram gravemente o povo judeu. Segundo o historiador judeu contemporâneo Flávio Josefo, cerca de um milhão de judeus pereceram apenas no cerco a Jerusalém, com muitos sendo assassinados em outros lugares do país e dezenas de milhares vendidos como escravos.

Aproximadamente 1000 judeus, homens, mulheres e crianças, que haviam sobrevivido à queda de Jerusalém ocuparam e fortificaram o palácio de Herodes, situado no alto da montanha Massada, próxima ao Mar Morto. Durante três anos eles resistiram às repetidas tentativas romanas de desalojá-los. Quando os romanos finalmente irromperam na fortaleza, eles descobriram que os defensores e suas famílias haviam preferido morrer por suas próprias mãos do que serem escravizados. Massada tornou-se o símbolo da determinação do povo judeu de ser livre em sua própria terra.

                                   

Um último breve período de soberania judaica seguiu-se à revolta de Shimon Bar Kochba (132 EC), quando a Judéia e Jerusalém foram reconquistadas. No entanto,   dado o poder massivo dos romanos, o resultado era inevitável. Ao fim de três anos, de acordo com o costume romano, Jerusalém foi destruída e seu solo “sulcado por uma junta de bois”.

Para apagar todos os laços judaicos com a Terra, a Judéia foi rebatizada Síria Palestina e Jerusalém, Aelia Capitolina.

Embora o Templo tivesse sido destruído e Jerusalém completamente queimada, os judeus e o judaísmo sobreviveram a seu conflito com Roma. A pequena comunidade judaica restante recuperou-se gradualmente, reforçada de tempos em tempos pela volta de exilados. A vida institucional e comunal foi foi reconstruída para adequar-se à nova situação, sem a estrutura unificadora de um Estado e do Templo. O corpo legislativo e judiciário supremo, o Sanhedrin (sucessor do Knesset Haguedolá) reuniu-se novamente em lavne (70 EC) e mais tarde em Tiberíades. Os sacerdotes foram substituídos pelos rabinos e, na ausência de um lugar central de culto, a sinagoga, exemplificada pelas majestosas construções em Capernaum, Korazin, Baram, Gamla e outras, tornou-se o centro de cada uma das comunidades dispersas. A Halachá (lei religiosa) tornou-se o elo comum entre os judeus e foi transmitida de geração a geração.

 

2.4.  Sob o Domínio Bizantino

Ao final do século IV, seguindo-se à conversão do Imperador Constantino ao cristianismo (313) e à fundação do Império Bizantino, a Terra de Israel tornou-se um país predominantemente cristão. Igrejas foram construídas nos lugares santos cristãos de Jerusalém, Belém e Galiléia, e mosteiros foram fundados em muitas partes do país. Os judeus estavam privados de sua autonomia relativa, assim como do direito de ocupar postos públicos, e eram proibidos de entrar em Jerusalém, exceto num só dia do ano, quando podiam prantear a destruição do Templo.

A invasão persa de 614 foi bem recebida e contou com a ajuda dos judeus, animados por esperanças messiânicas de libertação. Em gratidão por sua ajuda, eles receberam o governo de Jerusalém; esse interlúdio, no entanto, durou apenas cerca de três anos. Subseqüentemente, o exército bizantino reentrou na cidade (629) e novamente expulsou sua população judaica.

 

2.5.  Sob Domínio Árabe

A conquista árabe do país aconteceu quatro anos depois da morte de Maomé (632) e durou mais de quatro séculos, com califas governando primeiro Damasco e, depois, a partir de Bagdá e do Egito. No início do domínio muçulmano, os judeus novamente se instalaram em Jerusalém, e à comunidade judaica foi dada a permissão de viver sob “proteção” , o status habitual dos não-muçulmanos sob domínio islâmico, o que garantia suas vidas, propriedades e liberdade de culto em troca de impostos especiais e taxas territoriais.

Entretanto, a introdução subseqüente de restrições contra os não-muçulmanos (717) afetou os assuntos públicos, a observância religiosa e o status legal dos judeus, enquanto que a imposição de pesados impostos sobre a terra produtiva levou a maioria deles a abandonar as suas comunidades rurais e mudar-se para as cidades, onde as condições pouco melhoraram. A discriminação social e econômica crescente forçou muitos judeus a deixar o país, de forma que, em fins do século XI, a comunidade judaica na Terra havia diminuído consideravelmente e perdido parte de sua coesão organizacional e religiosa.

 

2.6.  O Período das Cruzadas

(1099-1291)

Nos 200 anos seguintes, o país foi dominado pelos cruzados que, atendendo um apelo do Papa Urbano II, partiram da Europa para recuperar a Terra Santa para a cristandade. Em 15 de julho de 1099, após um sítio de cinco semanas, os cavaleiros da Primeira Cruzada capturaram Jerusalém e estabeleceram o Reino Latino. A maioria dos habitantes não-cristãos da cidade foi massacrada; encurralados em uma sinagoga, os judeus defenderam seu quarteirão, até ser queimados vivos ou vendidos como escravos. Depois, durante poucas décadas, os Cruzados estenderam seu poder sobre o resto do país, quer através de tratados e acordos, quer por sangrentas conquistas militares. O reino cruzado foi o de uma minoria conquistadora confinada principalmente em cidades fortificadas e castelos. Assim sendo, embora a Terra estivesse sob domínio cristão, ela não se tornou um país cristão.

Uma vez que os Cruzados abriram rotas de transporte a partir da Europa, as peregrinações para a Terra Santa tornaram-se populares e, simultaneamente, um número crescente de judeus procurou voltar à sua antiga pátria. Documentos da época revelam que 300 rabinos da França e Inglaterra chegaram em grupo, alguns instalando-se em Aco (Acre), outros em Jerusalém.

Quando os Cruzados foram derrotados por Saladino, o Curdo (1187), os judeus mais uma vez conseguiram uma certa liberdade, incluindo  o direito de se reinstalar em Jerusalém. Embora os Cruzados tenham ainda reconquistado a maior parte do país após a morte de Saladino (1193), sua presença limitava-se a uma rede de castelos fortificados.

Uma vitória final (1291) dos mamelucos, uma casta militar muçulmana que tinha chegado ao poder no Egito, colocou um fim à dominação  dos Cruzados sobre o país.

 

2.7.  Sob Domínio Mameluco

(1291-1516)

Sob os mamelucos, o país tornou-se uma província atrasada, governada a partir de Damasco. Aco, Lafo e outros portos foram destruídos, por medo de novas cruzadas, e  o comércio exterior foi interrompido. No fim da Idade Média, os centros urbanos do país estavam virtualmente em ruínas, a maior parte de Jerusalém abandonada e a pequena comunidade judaica se tornara indigente. O período de decadência mameluca foi obscurecido por revoltas políticas e econômicas, epidemias, invasões de gafanhotos e terremotos devastadores.

                            

2.8. Sob Domínio Otomano

(1517-1917)

Nos quatro séculos seguintes, a terra de Israel foi governada a partir de Constantinopla, pelos turcos otomanos. Ela foi dividida em quatro distritos e dependia administrativamente da província de Damasco.

No começo da era otomana, havia cerca de 1000 famílias judias no país, morando principalmente em Jerusalém, Nablus, Hebron, Gaza, Safed e nas vilas da Galiléia. A comunidade era formada por descendentes dos judeus que nunca haviam deixado a Terra, assim como imigrantes da África do Norte e Europa.

Um governo ordenado, até a morte do Sultão otomano Suleiman, o Magnífico (1566), trouxe melhorias e estimulou a imigração judaica. Alguns novos imigrantes estabeleceram-se em Jerusalém, mas a maioria foi para Safed, onde, em meados do século XVI, a população judaica chegava a 10.000 pessoas, e se desenvolvia um próspero centro têxtil, além de intensa atividade intelectual. Durante este período, o estudo da Kabala (o misticismo judaico) floresceu e esclarecimentos contemporâneos da lei judaica, como os codificados no Shulchan Aruch, espalharam-se por toda a Diáspora a partir das casas de estudo de Safed.

Com o declínio gradual da eficácia do governo turco, o páis caiu num estado de abandono geral. Ao final do século XVIII, grande parte das terras era de proprietários ausentes que a arrendavam a agricultores empobrecidos. Os impostos eram tão elevados quanto arbitrários. As grandes florestas da Galiléia e do Monte Carmel estavam desnudas; pântanos e desertos invadiram a terra produtiva.

O século XIX viu o atraso medieval dar lugar aos primeiros sinais de progresso ocidental. As potências européias lutavam por posições geopolíticas no Oriente Médio, freqüentemente através de atividades missionárias. Estudiosos britânicos, americanos e franceses deram início a estudos de geografia bíblica e arqueologia, a Inglaterra, França, Rússia, Áustria e Estados Unidos  abriram consulados e Jerusalém. Navios a vapor começaram a navegar regularmente entre a Terra Santa e a Europa; conexões postais e telegráficas foram instaladas; a primeira estrada foi construída, ligando Jerusalém  a Lafo. O renascimento do país como a encruzilhada tradicional de três continentes acelerou-se com a abertura do Canal de Suez.

Em decorrência, a situação dos judeus no país melhorou lentamente e seu número cresceu de forma substancial. Na metade do século, a superpopulação dentro da cidade murada de Jerusalém levou os judeus a construir o primeiro bairro judaico fora dos seus muros (1860) e, durante o quarto de  século seguinte, a criar mais sete, formando o núcleo da Cidade Nova. Por volta de 1880, Jerusalém tinha já uma população de maioria judaica. Terras para a agricultura estavam sendo compradas em todo o país, novas colônias rurais eram construídas; e a língua hebraica, antes restrita à liturgia e à literatura, foi revivida. O cenário estava pronto para o aparecimento do movimento sionista ( próximo capítulo deste estudo).

Confiante na “Rocha de Israel” (JESUS), saúdo-os com um sincero SHALOM!

 

Martha Alaíde Borba Tenório

mabtenorio@ig.com.br

A QUESTÃO PALESTINA E O MOVIMENTO SIONISTA

Tzión/Sion

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